Dentre tantos assuntos que surgem em rodas de amigos, família ou com desconhecidos, no ponto de ônibus por exemplo, um de meus preferidos é política. Sei que muitos, se não a maioria, torcem o nariz quando tal tema é posto em discussão, mas mesmo assim tem sua opinião e sempre que possível expõe-na.
Não sei ao certo o motivo de minha fascinação, se pelas lembranças de infância onde percebia a alteração das pessoas ao tratarem do assunto, se pela educação institucional ou simplesmente por ser também, assim como todos, um ser que exerce relações.
Fazendo um levantamento quanto à definição de política, nota-se uma adaptação deturpada de seu sentido ao longo do tempo. Enquanto as reflexões aristotélicas referem-se à felicidade coletiva da Pólis (origem da palavra política) e político como “pertencente aos cidadãos”, quando aplicada na Europa (1265), seu sentido passou a ser diretamente relacionado ao poder. Segundo Hobbes, política “consiste nos meios adequados à obtenção de qualquer vantagem”, também assim conceituada, mesmo que com outras palavras, por Russel e Maquiavel.
É lógico que a “obtenção de vantagem” refere-se ao coletivo, entretanto é comum aplicarem-na ao indivíduo ou no máximo, a um grupo mínimo desses “pertencentes aos cidadãos” e seus colaboradores. Vale ressaltar que essa prática é adotada no mundo todo, não sendo exclusiva do nosso país. Contudo, no Brasil a putrefação do Estado é tão comum que se tornou cultural, praticado em todas as relações e níveis da sociedade. Ao perdermos os objetivos comuns deixamos de ter a motivação necessária á nos organizarmos para obtê-los, provocando, facilitando e até certo ponto, avalizando essa corrupção.
Quando falamos sobre política, não discutimos o que comumente nos falta, mas da reprovação aos equívocos e prejuízos que os políticos provocam à sociedade. Mais curioso é que nos períodos de eleição, somos tomados por uma súbita euforia, temos nossa esperança renovada, mesmo que votemos em representantes outrora reprovados.
O que esperamos? Que o político eleito realize o “plano de metas” da campanha? Por quê? Afinal, não existem objetivos comuns!
Alguém pode dizer: -Ah, mas não é bem assim, todo mundo quer mais hospitais, mais escolas, mais estradas,...
Se esses são nossos objetivos comuns, estamos ferrados. Considero retrógado, limitado e ultrapassado cogitar que pontos tão primitivos à condição de Estado Soberano ainda seja motivacional à organização social. Assim, continuaremos ouvindo as mesmas propostas de governo, onde nada é feito pelo todo e tudo é feito pelo próximo pleito.
Continuarei.
